Terça-feira, Novembro 03, 2009

Viver a Vida

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Efeito Borboleta ...

Borboletas: 3

Se o simples bater das asas de uma borboleta

pode influenciar o curso da natureza,

uma maldadezinha inventada em uma historieta

é um misto perigoso de tibieza e torpeza.


Tibieza porque faltou magnificência;

torpeza porque revelou indignidade.

Tibieza porque não houve indulgência;

torpeza porque evidenciou malignidade.


Se o simples bater de asas de uma borboleta

pode dar origem a um violento tufão,

que dizer, então, de um mexerico malsão?


Um pensamento pode ser uma espoleta

a fermentar na cuca de um leva-e-traz

com o potencial destrutivo de um antraz!

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A Teoria

O Filme



Terrível é o homem em quem o senhor
desmaiou o olhar furtivo das searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida. Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima
A morte é a grande palavra para esse homem
não há outra que o diga a ele próprio
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia

Ruy Belo

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

"Eu vinha para a vida, e deram-me dias"
vivos com os seus lugares e espaço.

Ontem nasci sem fim, e alimentei-me
nesta mesa que em duas se reparte.
Uma aba no mar, vagante à toa,
trouxe os sabores de ondas, de orlas.
Outra aba na terra mostrou-me as pedras
polidas, úberes, gastas. Pedras
densas que me encheram o ventre
e me criaram similar à Terra.
No mar tive cristais quebrados, jóias;
na terra, tão nítida poeira branca
que fundi as formas das flores visíveis.

E hoje é este olhar profundo,
deriva das imagens pelo mundo.

Fiama Hasse Pais Brandão

Domingo, Outubro 25, 2009

Epigrama

Há mil e cem anos
de poesia num só dia,
mil e cem palavras
numa só sílaba,
mil e cem páginas
numa linha

- quando abro o livro
do teu corpo, e provo mil
e cem receitas num só
amor.

Nuno Júdice

Domingo, Outubro 18, 2009

Mistake

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos

Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

(Enlaçemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida

Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,

Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,

Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.

Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.

Mais vale saber passar silenciosamente.

E sem desassossegos grandes.

Fernando Pessoa

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Casinha Branca



Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde prá plantar e prá colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer
Às vezes saio a caminhar pela cidade
Procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Just Hold Me

Quinta-feira, Outubro 30, 2008

Fui por aí ...

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Made in China

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

As asas são para voar ...

Segunda-feira, Agosto 25, 2008



Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sofia de Mello Breyner Andersen

Quinta-feira, Agosto 21, 2008


Gal Costa

Quarta-feira, Agosto 20, 2008

Sou uma espécie de carta de jogar, de naipe antigo e incógnito, restando única do baralho perdido. Não tenho sentido, não sei do meu valor, não tenho a que me compare para que me encontre, não tenho a que sirva para que me conheça. E assim, em imagens sucessivas em que me descrevo – não sem verdade, mas com mentiras – vou ficando mais nas imagens do que em mim, dizendo-me até não ser, escrevendo com a alma como tinta, útil para mais nada do que para se escrever com ela. Mas cessa a reacção, e de novo me resigno. Volto em mim ao que sou, ainda que seja nada. E alguma coisa de lágrimas sem choro arde nos meus olhos, alguma coisa de angústia que não houve me empola asperamente a garganta seca. Mas ai, nem sei o que chorara, se houvesse chorado, nem porque foi que o não chorei. A ficção acompanha-me, como a minha sombra. E o que quero é dormir.

Bernardo Soares

63,3%)loia

Sábado, Maio 31, 2008

Rosa meditativa,Salvador Dalí
Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.

Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...

Fernando Pessoa

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Hoje ...

... vai ser assim

Terça-feira, Maio 27, 2008

Funny Body

Domingo, Maio 04, 2008

Kiss Me, Oh Kiss Me